Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. E aí, quando se faz silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

- Rubem Alves


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Flor do Lácio


Pintura de Kity Amaral
Texto de Luís Santos



Flor do Lácio

Tal como a poetaram Olavo Bilac e Fernando Pessoa, tal como a ensinou Agostinho da Silva e nós sintetizámos, tal como a canta, romanceia e pinta, Caetano Veloso, Mia Couto, Kity Amaral, entre outros mundos de muitos outros, eis a Língua Portuguesa em todo o seu esplendor;
herdeira de lacianos romanos, integradora de invasores bárbaros e de arabescas expansões territoriais;
gémea de galicismos de gaita de foles, traduzindo-se em ardente fusão de galaico-português, irmã de castelhano e andaluz, aparentada com o basco, e não esquecendo Santiago de Compostela;
nascida que foi no dionisíaco reinado, da aragonesa Isabel, ao tempo em que o templo deriva em cristo, do Estudo Geral e em que se favorecem bons ventos para velas latinas à marinha;
ida que vai ao mundo expandida por velozes vias ultramarinas, ao Brasil, à Índia, ao Tibete, ao Japão, língua franca no índico; tal como também foram suas irmãs espanholas para o outro lado de Tordesilhas;
Língua de países outrora colonizados, então emancipados, uniformizada em espírito fraterno de alargada comunidade lusófona;
parceira nas nações unidas, em relações políticas ibero-sul-americanas, de uma união europeia de paz, apostada em razoáveis trocas económicas ideais, de trabalho por tempo livre;
por África muito disseminada e um Timor todo virado a uma varanda de aborígene, e anglófona, oceania:
Centra-se, por agora, em contemplação de uma Catalunha a votos, por uma Ibéria que se quer simultaneamente unida em suas unidades autónomas, porventura independentes, assumindo o legado liberal dos valores de igualdade e fraternidade, de pacifistas amizades, ocupada com coisas simples, belas, singelas, para todos;
nas históricas relações intercontinentais desta aldeia global, abrindo-se às infinitas possibilidades ecuménicas, simultaneamente religiosas e ateias, para que melhor se perceba donde vimos, quem somos, para onde vamos;
Amém.
Dez. 2017

1 comentário:

Mauro Moura disse...


Já é a quinta língua mais falada no Mundo?
Bacana.