“Hoje dá o melhor de ti em cada ação que tenhas, por mais simples que seja!”

António do Carmo Alfacinha


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Helicônias




Kity Amaral

Da série Flores Tropicais.
As Helicônias são conhecidas por vários nomes vulgares:
Falsa-Ave-do-Paraíso, Bananeira-de-Jardim, Bico-de-Guará e Paquevira.
Uma Flor bem Brasil

Deixa Ela no paraíso,
Selvagem,
Sem legenda,
Nua e crua no meio da floresta.

photo©Kity•Amaral


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

E hoje os alunos trabalharam com a nova palavra telhado. 



Excelente, o artigo que Helena Matos apresentou no “Público”, de Sábado passado. (1) Curiosamente e por coincidência, em tese desenvolve um pequeno texto que enviei como comentário de uma notícia no jornal on-line, “Portugal Diário”. 
O pior dano que o terrorismo nos causa é a dúvida sobre a nossa culpabilidade pelos crimes que sobre nós ele pratica. Com isso, por um lado estamos a justificá-lo, isto é, a dar-lhe razoabilidade e, por outro lado estamos a ceder à sua chantagem e a recuar no combate implacável que lhe deveríamos travar; em vez de em ele vermos o Mal que realmente é, estamos a confundi-lo como expressão de uma causa que, a existir, visa, entre outros objectivos, a destruição do nosso modo de vida. 
A curiosidade está no desenvolvimento que isto faz das ideias centrais daquele textozinho que assinei sob o pseudónimo Rudolfo Wolf, uma pequena brincadeira que consiste na participação cívica ao nível da informação digital. 
Foram assim as minhas palavras. 
“Se bem que não existam certezas quanto à autoria de mais este massacre, provavelmente terá ele a assinatura da Al-Qaeda. Seja como for, pouco importa, a linguagem do terrorismo é universal e é semelhante em todos os lugares sobre os quais se abate a sua violência cobarde e gratuita. Os desideratos, também eles, são os mesmos em toda a parte e visam o controle do exercício do poder absoluto e, com isso, a imposição de uma determinada cosmovisão e respectivos pontos de vista. Estamos perante poderes totalitários. Ora um dos efeitos mais nefastos do totalitarismo é precisamente a sensação de culpabilidade que incute nas vítimas e é justamente isso que nós temos a obrigação de evitar. 
Caso contrário, nunca seremos capazes de compreender que não podemos ceder à chantagem terrorista sob pena de perdermos as nossas garantias de que podemos planear as nossas vidas de forma a que um dia deixemos o nosso legado aos nossos filhos. Mas por muito que custe a muitos dos amigos Leitores que, estou certo disso, são pessoas de bem e amantes da paz e da liberdade, a verdade é que o onze de Setembro só pode ser entendido como um acto inicial, isto é, aquele que marcou o início da guerra mundial que decorre perante os nossos olhos e perplexidades e que opõe a Al-Qaeda e afins aos aliados do Ocidente – entre os quais será bom que nos encontremos. Pois neste sentido, não tenhamos dúvidas que também nós somos um alvo potencial e não só do ponto de vista militar; começamos desde logo por o ser do ponto de vista civilizacional e, para tanto, pouco mais importa perceber que as queridas filhas com que Deus me abençoou, aos olhos odientos desses cérebros prenhes de maldade e fanatismo, não passam de seres inferiores que aos homens devem total obediência e submissão. 
Apoiar a guerra contra o terrorismo não significa que façamos a apologia da guerra, em abstracto, mas apenas que não aceitamos o mundo esquizofrénico que essa canalha nos quereria impor. E por mais doloroso que o seja, sabemos por experiência feita que o baixar dos braços perante o tirano só serve para lhe dar mais força na violência que sobre nós ele provoca. 
Nunca será de mais meditarmos em trinta e três, nas folhas de pacifismos que ingleses e franceses assinaram nos anos seguintes e naquilo que cinco anos depois aconteceu à Checoslováquia. 
Para que não mais se repita.” (2) 

Pois é com base neste ponto de vista que vejo com muita apreensão e pessimismo o discurso de Zapatero, no seu primeiro dia após a vitória nas legislativas em que os espanhóis decidiram castigar o partido do governo que lhes mentiu sobre a autoria da matança do dia onze, em Madrid. 
Diz o futuro primeiro-ministro que a menos que a soberania, no Iraque, transite para as Nações Unidas, em Junho, as tropas espanholas sairão daquele país, onde, como aliados, contribuem para a pacificação e normalização daquele território. 


Será a vitória da Al-Qaeda que assim entenderá o voto do eleitorado espanhol como ditado pelo massacre e a capitulação do mesmo e do governo eleito diante da hipótese de novos morticínios em massa? 


Se a Espanha cair, toda a Europa se ajoelhará e mais uma vez os ingleses ficarão sozinhos com o fardo da defesa da civilização que neste lado do mundo construímos? 



Já não há paciência para Mário Soares. 
Agora diz que Durão Barroso deve tirar as consequências do resultado das eleições em Espanha. 
Sem comentários. 



E Putin venceu as presidenciais russas pelo que iniciará um segundo mandato que será o da cesarização do cargo, continuando tudo mais ou menos na mesma e o povo cada vez pior. 

A exportação mafiosa que do ex-império soviético se espalha pela Europa rica permanecerá nos próximos anos. 



E este mundo que tem tantas coisas bonitas. 


Alhos Vedros 
 15/03/2004 


NOTAS 

(1) Matos, Helena, O MAL, p. 17 
(2) Wolf, Rudolfo, PARA QUE NÃO MAIS SE REPITA 


CITAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS 
Matos, Helena, O MAL, In “Público”, nº. 5103, de 13/03/2015 
Wolf, Rudolfo, PARA QUE NÃO MAIS SE REPITA, In Fórum, “A Ressaca dos Atentados de Madrid”, “Portugal Diário”, iol.pt, de 12/03/2004

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (293)

Os Telhados Vermelhos, 1877
Óleo sobre Tela, 54,5 x 65,5 cm

Pissarro 1830-1903.
Na comparação com Monet ou Renoir é frequente confundir o rigor de Pissarro  com um certo conservadorismo.
Esta peça mostra a audácia do artista na utilização das cores primárias, muito antes dos seus companheiros terem abordado este tema com esta desenvoltura, sem perder o valor da forma.

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Eu estive lá


Ontem, no Centro Cultural José Afonso, em Alhos Vedros, o poeta José Fanha fez-se acompanhar do músico Carlos Alberto Moniz, duas reconhecidas figuras da cultura portuguesa, e ambos proporcionaram um bom serão a quem se atreveu sair de casa numa noite fria e húmida, e ainda rivalizando com a III feira do Chocolate que por aqui decorre, porque Alhos Vedros teima em ser terra de muita e animada dinamização cultural e artística. O óbice foi o lançamento do livro de poemas "Marinheiro de Outras Luas", de José Fanha. Ora, um poeta cá da terra, do alto da sua experiente e rica história de vida, dedicou-lhe um poema que diz assim:

Eu estive lá

Cheguei: ouvi palavras sábias,
De uma figura conhecida,
Com a sua voz rouca e sentida,
Que muito sabe da vida.
Quantas palavras alegres,
Ou sentidas foram ditas,
Falaste sem saudade,
De outros tempos de outrora,
Mas falaste muito em liberdade.
Falaste do povo em sofrimento,
Da miséria em que o povo vivia,
Da fome e do medo que existia.
Das torturas infligidas,
À gente da nossa terra.
Também falaste da guerra.
Contaste histórias para crianças,
Falaste de lembranças.
Adorei ver essa tua paixão,
Quando falaste com o coração.
Não declamaste, mas brincaste com as palavras.
Senti que cativaste a criançada.
Falando de gente que viveu, e que foi amada,
Sentiste o passado, vives o presente.
Senti que estavas com a gente.
Com essa expressão tamanha,
Eu estive lá: estive com o Fanha.

José Ramos
16-02-18

Notinha do editor: Fica um vídeo musical de uma passagem pelos dois autores pela TVI e que dá um cheirinho do que ontem se passou no Centro Cultural José Afonso que se pode ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=W89gBO3wIz0


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Dicionário de Cores


por Walter Barbosa de Oliveira



Laranja: Ou tonalidade laranja, origina-se da mistura do vermelho e amarelo.
Verde: Ou tonalidade verde, origina-se da mistura do amarelo e azul.

A relação entre as cores e as emoções é hoje comumente aceita. Assim: uma Aura fortalecida possuiu cores melhoradas. Uma pessoa nobre e espiritual tem uma aura cor amarelo-ouro, próxima de um puro e deslumbrante branco. A parte anterior do cérebro, que é a área da Razão e da Percepção, manifesta-se em azul, cor fria e calma; o princípio do amor é representado pelo vermelho.

Idealismo, espiritualidade e sublimidade, que combinam pensamento e emoção, irradiam o violeta, ou a união de azul e vermelho.

A paciência, firmeza, integridade e temperança, têm mais a ver com frieza do que com calor e nelas predomina o azul.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Agostinho da Silva e Barca de Alva


Agostinho da Silva, escultura em Barca de Alva. Assinalando aqui os 112 anos do seu nascimento. Os créditos das fotografias pertencem a Cláudia Leite Bolila. O arranjo do texto é de Luís Santos.






















George Agostinho Baptista da Silva, filho de Francisco José Agostinho da Silva e Georgina do Carmo Baptista da Silva, nasce na cidade do Porto a 13 de Fevereiro de 1906. Mas logo pouco tempo depois, com seis meses de idade, por destacamento profissional de seu pai foi viver para Barca D’Alva, lugar fronteiriço do Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda. Aqui passou parte da sua infância, até aos seis anos de idade, altura em que haveria de regressar ao Porto.

Em 1986, com oitenta anos de idade, Agostinho da Silva produziu um manuscrito com o título de Caderno de Lembranças, onde nos lega uma descrição sobre os seus primeiros tempos de vida. O que é curioso é que o início desta sua descrição recua ao ano de 1905, altura em que o autor começa a dar conta de que irá nascer. E é tão interessante a descrição que não deixamos de a transcrever em parte:

“Lá por 1905, mas nada há mais difícil do que relacionar tempo e eternidade, ou fixar-se simultâneo nos dois planos – os grandes pintores o fazem no olhar de suas figuras -, mas, enfim, por essa altura, comecei a tomar atenção no belo globo que rolava diante de nós, e a tentar descobrir lugar aonde me agradasse descer para principiar minha vida. A meu lado, outros faziam o mesmo, e até discutíamos os méritos de um e outro ponto, mas sem voz, tanto quanto me lembro, porque o nascer tira muito a memória (…) Quando, voluntária ou involuntariamente, quem o sabe, gostei de, a cada volta do globo, ver surgir de novo nossa península ibérica, deu-se – fenómeno curioso, o mesmo que, maquinado pelos homens, se veio a chamar zoom: À outra volta, a península estava maior, só havia uma nesga de mar, de um lado e outro, e uma cadeia de montanhas, bem em relevo, a limitando para o norte; ou eu a estou a ver agora assim, porque, donde eu a contemplava, não havia nada que fosse acima ou abaixo: simplesmente era. Na outra volta, a metade que posso dizer agora de meu lado direito desaparecera, como desaparecera toda a faixa do sul. Fixava-me, de facto, no que aprendi a chamar Portugal (…)” (Agostinho da Silva, Caderno de Lembranças. Corroios: Zéfiro Editora, pp 15-16)

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

AI QUE TARDE LINDA TARDE

Que belo passeio de bicicleta que o pai e a filha mais velha fizeram ao Rosário, onde a mãe e a Matilde esperaram entretidas com brincadeiras de areia. 
Com cuidado, muito cuidadinho, entre a Moita e o Gaio, uma vez que utilizamos a estrada de asfalto que liga as duas freguesias, mas satisfeitos com a aventura e deliciados com o chão da lezíria que já está colorido pelos primeiros arremessos da Primavera. 
Mas lá fomos a corta-mato até à sede concelhia e regressamos pela pista de ciclismo que dali vem até à entrada de Alhos Vedros, onde retomámos os caminhos que outrora dividiam as fazendas da beira-rio. 

Ser pai é isto, acompanhar o crescimento com amor, muito amor e carinho. 
É assim que se incentiva os anjinhos a enfrentarem desafios e a terem o ânimo suficiente para os ultrapassar. 
E, quanto a isto, estou certo que o piolhinho do meu coração teve hoje uma lição de grande quilate. 
Naturalmente chegou cansada ao Rosário e anteviu o regresso no automóvel, o que saiu gorado dado o facto de o velocípede não caber na mala do carro. 
Apesar da contrariedade, regressou nas duas rodas e quando lanchámos no café da Júlia, se a minha querida filha esteve a alimentar o físico, o espírito, esse, acabara de crescer muitíssimo. 

E o pai todo orgulhoso, sentindo que tinha sido uma tarde tão bem passada. 



Pois é este o mundo de pequenas alegrias e encantos que a canalha fanática quer destruir. 



E nestes dias viveu-se a ressaca do onze de Março, com uma mega manifestação multiplicada por todas as grandes cidades espanholas e que só em Madrid, na noite de sexta, levou à rua mais de um milhão de pessoas, num grito uníssono de recusa do terrorismo e de tudo o que o mesmo representa. Ontem foi a vez de uma demonstração de milhares de pessoas reclamando pela paz, em frente da sede do Partido Popular, a cujos líderes chamavam, amiúde, de mentirosos, sob a alegação que o governo de Aznar apontara o dedo à ETA para desviar as atenções das organizações fundamentalistas que giram em torno da Al-Qaeda, para poupar o seu partido aos possíveis efeitos que isso poderia ter na votação de hoje, dada a relação entre o massacre e a presença popularmente mal querida de tropas espanholas ao lado das forças aliadas, no Iraque. 

Pois a verdade é que desde ontem todos os indícios se viram para a pista do islamismo integrista, para além de uma carta num diário árabe que à Al-Qaeda atribui o hediondo crime. E esta manhã apareceu uma cassete vídeo atribuída aos homens de Bin Laden em que os mesmos se reconhecem como responsáveis pela matança. 


Amanhã escreverei sobre um artigo que Helena Matos deu ontem à estampa no Público. 


Por agora registo que depois de uma ida massiva às urnas que fez a abstenção diminuir em relação ao anterior escrutínio, o povo espanhol cambiou o sentido do voto e deu a vitória ao PSOE em quarenta e sete por cento das preferências. Emílio Zapatero será o novo primeiro-ministro. 

Os espanhóis deram, acima de tudo, uma grande lição de apego pela democracia. 

Esperemos, no entanto que a mudança não signifique uma capitulação perante a chantagem terrorista, tanto interna como internacional e que a Espanha se mantenha firme ao lado dos aliados na procura de um Iraque pacífico e empenhado na edificação de um estado de direito e uma sociedade próspera, naquelas paragens. 


O onze de Março foi mais um episódio da guerra mundial que vivemos. 
É bom ter isto presente. 



A Matilde já sabe ler. 

Eu sinto-me tão feliz por a ver esforçar-se por ler palavras em jornais e revistas. 
Ontem levou um livro do Harry Potter para a esplanada, para ir lendo as palavras que já é capaz de soletrar. 


E eu tenho que admitir que não é possível identificar o preciso momento em que a criança começa a ser capaz de ler. 
À semelhança do que já tinha observado com a Margarida, fico com a impressão que tal acontece repentina e inesperadamente. 

O encanto de ver o pardalito nas suas primeiras leituras é que está sempre presente. 



Na sexta-feira, os alunos ainda tiveram tempo para dar uma nova palavra, telhado, com a qual irão aprender o som lh. 
Mas também tiveram os espaços da música e da religião e moral e a ida para a hora da patinagem, na Moita. 



Por hoje resta dizer que nessa mesma noite estive em nova assembleia da associação de pais do agrupamento. 
Afinal, o grupo de trabalho lá fez qualquer coisa e aprovámos os estatutos. 
Até aqui, tudo bem. 


Alhos Vedros 
 14/03/2004

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (292)

Suprematist Composition, Malevich, 1916
Óleo sobre Tela, 88,5 x 71 cm

Malevich nasceu em Kiev a 12 de Fevereiro de 1878 e morreu em São Petersburgo a 15 de Maio de 1935. 
Foi um dos mais importantes pioneiros da arte geométrica abstracta, tendo fundado, em 1913, o Suprematismo. Em 1915, expôs um quadro com o título "Quadrado Negro sobre Fundo Branco", o qual resume as ideias básicas da produção suprematista, ou seja, de uma pintura que coloca em primeiro plano a autonomia conceptual, sem dar muita importância aos aspectos técnicos da obra.


The Night, Max Beckmann, 1918
Óleo sobre Tela, 133 x 154 cm

Max Beckmann  nasceu em Leipzig 12 de Fevereiro de 1884  e morreu em Nova Iorque a 28 de Dezembro de 1950 . 
Foi um pintor expressionista alemão e artista gráfico cujas obras transmitem uma visão pessimista da sociedade talvez porque durante a Primeira Guerra Mundial, Beckmann se
ofereceu como voluntário para assistir médicos. As experiências traumatizantes
conduziram-no a um colapso psicológico, tendo sido dispensado do serviço 
militar, em 1915. Os seus quadros tornaram-se, em resultado dessa experiência,
fortemente dramáticos. 

Selecção de António Tapadinhas

(contrariamente ao que tem sido habitual apresento dois pintores que nasceram neste dia - 12 de Fevereiro - por não saber qual deles excluir. Em resultado desta indecisão, apresento os dois: Malevich e Beckmann)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Cuecas para Turistas


por Francisco Gomes Amorim

Não vamos chover no molhado enaltecendo as praias, a caipirinha, as lindas mulatas (pior agora que as mulheres decidiram abrir guerra contra o assédio sexual, e só é pena que não o tenham começado há alguns milénios) que podem ser observadas, mas com cuidado..., apesar de elas, as mulheres, de forma geral, cada vez mais, usarem roupas que procuram, não cobrir, mas descobrir os pseudo secretos encantos... Enfim, o Brasil tem muito mais coisas interessantes.
Nas grutas da Serra da Capivara, no Piauí, lá no Norte, há centenas de pinturas rupestres e já se chegou à conclusão que permite afirmar vestígios humanos que ali estiveram desde há cerca de 49.000 anos!
Vale, muito a pena ir visitar as grutas deste lugar, onde se encontram as mais antigas pinturas humanas do planeta.
O turista pode, e deve ir visitar também as cidades histórias de Minas, Olinda, Alcântara e muito mais e ver o legado colonial, que faz os brasileiros fingirem que abominam esse tempo (colónias nunca mais!) mas de que muito se orgulham.
Recordações para levar do Brasil? Hoje todos têm telefones celulares que tiram centenas ou milhares de fotos, base das recordações que daqui podem levar, bem como umas garrafinhas de cachaça, da boa, que tem muita, e nessas cidades históricas, tem belíssimas pinturas, baratas, aquarelas ou óleo, estatuetas, etc.
Mas há um item que rivaliza, em muito, com a famosa Lâmpada de Aladim, das Mil e Uma noites ou Noites das Arábias.
Cueca! Isso mesmo, cueca.
O “engenho e a arte” de alguns setores extra sociedade (mas muito influentes) levaram à descoberta de novas utilidades para um pequeno item do vestuário, que o tornou muito procurado, mas ainda não divulgado aos turistas que dele se podem igualmente beneficiar.
Repito, a cueca.
Aqui se encontram cuecas especiais, por exemplo para transporte de dólares escondidos! Isso. O cliente só tem que informar o fornecedor (da cueca e não dos dólares) qual a quantidade que deseja transportar, bem juntinho aos seus órgãos, conhecidos também por “vergonhas”, e passear tranquilamente no meio da malandragem com o c... forrado de grana, que ninguém o vai perturbar, até porque o típico brasileiro costuma ser bem fornecido de glúteos, chamemos-lhe bunda, o que faz com que o portador dessa mirífica cueca passe desapercebido.
As mais caras carregam de 100 a 500.000 dólares, tamanho “G” a “GGP”. As “P” uns 5 a 10.000 e as “M” à volta de 25.000. Genial.
Para as maiores, em princípio, recomenda-se ao portador que arranje um atestado médico dizendo que tem “esteatopígia”  (do grego στεατοπυγία, de στεαρ, stear, "sebo", "gordura", e πυγος, pygos, "nádegas") é a hipertrofia das nádegas ocasionada pelo acúmulo natural de gordura na região, sobretudo em tribos da África meridional, como bosquímanos e hotentotes.


Mas não é modelo único. Há poucos dias um ilustre membro da Câmara dos deputedos, perdão deputados, num caso talvez universalmente exemplar, por indecente e má conduta, foi preso. Mas como a justiça por aqui é muito boazinha com esses deputedos e congéneres, o “sobredito” passa as noites na gaiola e de dia pode sair para estar presente na digna e impoluta assembleia dos sobreditos deputedos todos, a esforçarem-se, em prejuízo da sua saúde, tal o volume de trabalho, a conduzir os destinos da sua querida nação que eles tanto vigarizaram, roubaram e continuam a rir e dar risada!
Comovente, né?
Regra geral as refeições na prisão não são exatamente servidas por chefes franceses nem é remetida de Paris da “Tour d’Argent” para esses coitados que roubaram milhões, bilhões, aos cofres públicos.
Desse modo o “sobredito”, não apreciando a comida da seleta coletividade enjaulada, teve uma ideia que se imagina tenha até registrado patente: arranjou uma cueca, especial, onde ao fim do dia carregava para a penitenciária pacotes de biscoitos, saudáveis, e mais um bom pedaço de queijo provolone para complemento do rango geral.
Este modelo de cueca, à boa moda dos States, foi patenteada com o nome comercial“PFF”, que traduzido significará, do original Pants For Food, Cuecas para Alimentação.
O inventor está em negociação com a FAO, interessada na distribuição de alguns milhões por África.
Não foi divulgado se o queijo ia convenientemente embalado ou se chegou ao destino com o cheiro do lugar onde foi transportado, o que lhe proporcionaria um aroma extra.
Agora os desejados turistas visitantes, interessados nestes modelos especiais de transporte de itens especiais, devem estar fazendo a sacramental observação e simultânea pergunta:
Oh! How wonderful! (Que maravilha, se for inglês ou americano. O alemão: Oh! Wie wunderbar). Mas onde se encontram essas underwear - cuecas - à venda?
Por todo o Brasil tem representantes, distribuidores:
- Congresso Nacional – o “alto” e o “baixo”, aliás da baixaria
- Ministérios
- Governos de Estados
- Prefeituras
- Assembleias Legislativas Estaduais
- Assembleias Legislativas Municipais
- Grandes e médias empresas de construção
Em qualquer destes locais haverá sempre alguém que amavelmente indicará o melhor fornecedor... tanto da cueca como do recheio, generosamente cobrando um pequeno custo de intermediar o negócio. O trivial.

Com esta da cueca lembro de uma anedota que ouviu.... chiii... quando? Em meados do século passado, era eu um jovem, e pasmem, ó gentes, não esqueci.
Em Lisboa, um carro elétrico, um bonde, percorria o seu caminho cheio de gente que se compactava para sempre poder entrar mais um.
Chega o cobrador, o “trinca-bilhetes”, e começa o povo a pagar, na altura algo como cincostões ou cinquenta centavos (transferindo para €uros, seria, mais ou menos 1/400 ávos de 1 €uro).
Lá, no meio do povo, plataforma traseira, uma simpática, graciosa e oferecida mocinha, com um generoso decote (já nessa altura), começa a gritar:
- Fui roubada, fui roubada. Tiraram-me a carteira!
O cobrador, admirado, pergunta:
- Onde a senhora (era bem educado, o trinca-bilhetes) tinha a carteira?
Ela aponta para o generoso decote e diz:
- Aqui.
- E não sentiu quando a roubaram?
- Sentir, eu senti, mas pensei que não fosse por mal !!!!!!!

Se, nesse tempo, já existissem estas especiais cuecas brasiliensis, o dinheiro da mocinha estaria muito mais bem guardado. Mas será que se lho tentassem tirar, ela não iria sentir uma mão passeando nas suas partes íntimas, e também pensaria que não era por mal?
Não. O assaltante era muito delicado.
Honi soit...

Dez. 2017
em, www.fgamorim.blogspot.com

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Pelos Vencidos


por Agostinho da Silva

[...] “A justiça há-de ser para nós amparo criador, consolação e aproveitamento das forças que andam desviadas; há-de ter por princípio e por fim o desejo de uma Humanidade melhor; há-de ser forte e criadora; no seu grau mais alto não a distinguiremos do amor.


   Por isso mesmo estarás sempre ao lado dos vencidos que se tratam com arrogância, com brutalidade ou com desprezo; não te importarás que as suas ideias sejam diferentes das tuas, mover-te-á o olhares que são homens e não hás-de duvidar nem um momento da infinita possibilidade que neles há de um mais definido pensamento e de um mais perfeito proceder; não os vejas condenados para sempre à mesma estrada que tomaram; que exista para ti a esperança das reflexões e dos regressos.


   Ao teu amigo ou adversário dirás sempre a verdade a respeito dos vencidos, sem que te impeçam o afecto ou o ódio: levanta a voz, seja qual for o lugar ou o instante, a favor dos que, tombados na luta, ainda têm de sofrer as prepotências; protesta, enquanto te deixarem protestar, contra a vileza, contra a cobardia dos que esmagam quem têm à mercê, dos que torturam os corpos e as mentes, dos que se armam contra os desarmados; e, quando não te deixarem protestar, protesta ainda.


 
 Nessa batalha a ninguém feres; vais servir os próprios que censuras; pode ser que às tuas palavras se convertam os Césares e deixe o centurião tombar a espada; pode ser que os cativos se redimam; mas, se nada conseguires de imediato, terás dado ao mundo um exemplo de liberdade interior e de firme coragem; terás lançado a tua pedra – e não das menores  – para a grande construção; terás ganho para a vida uma força ante a qual, mais tarde, se hão-de aplanar os ásperos caminhos e abater os alterosos obstáculos.”


Agostinho da Silva, in Textos e Ensaios Filosóficos I, Âncora Editora, Abril 1999 (p.112,113)

(Folhas à Solta, nº75, Associação Agostinho da Silva)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

O Homem é o único animal capaz de encarnar o Mal. 
A liberdade é o valor que o encaminha para o antípoda da Besta e que lhe permite consagrar o estigma da dignidade com que Deus o abençoa. 
Isto, pois, aquela, é o dom que Ele nos legou, o podermos escolher entre dois ou mais caminhos e daí que seja importante para a condição de vida dos humanos, mas aí é ela uma conquista que começa, no ponto em que derrotamos o Mal.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (291)

HR Giger 2011

Photo credit: Roland Gretler

Hans Rudolf Giger nasceu em Chur, Suíça, a 5 de Fevereiro de 1940 e morreu em Zurique a 12 de Maio de 2014.
Foi um artista plástico com obras no campo da pintura, escultura e cinema. Ligado à corrente do surrealismo e da arte fantástica, H.R. Giger destacou-se pela sua técnica na utilização do aerógrafo e pelos seus temas escolhidos na área do terror e do erotismo. Com a utilização da aerografia transportou o fantástico para níveis superiores criando cenários e ambientes ultra-realistas sem paralelo com o que se tinha feito até então. Giger foi autor de um dos mais conhecidos cenários da história do cinema, e da criatura, Alien, cujo primeiro filme, lhe proporcionou o Oscar de melhores efeitos visuais em 1980.


Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Kity Amaral






Kity Amaral 
é Artista Plástica. 
Formada em Ciências Sociais 
pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil.


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

EG 95


ESTUDO GERAL
jan/fev       2017           Nº96

"O conjunto do mundo é Deus sendo."
(Agostinho da Silva)

Sumário
A propósito do 8º aniversário do Estudo Geral
Onde a amizade se conjuga com criatividade artística
A diarística do EG, às terças
Viva a Humanidade e a Reconciliação, a Compreensão e a Paz Mundiais…
Uma reflexão sobre a educação das nossas crianças
Alimentação e os Diálogos Lusófonos
Alguns bons conselhos alimentares
Alimentação e Saúde
As propriedades fitoterapêuticas da hortelã-pimenta
Re-lembranças


---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018


Se pudesses, nem que fosse só por um instante, veres como és ajudado pelo Mundo invisível; tens realmente noção o quanto és ajudado e protegido? Não, não tens, pois se tivesses estarias sempre a agradecer, e nem uma só vez dirias que te sentias só, em solidão!

António do Carmo Alfacinha



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

DIA AZIAGO

Onze de Março é dia de infâmia. 

Má fama já ele tinha, entre nós, portugueses, pelo que ocorreu há vinte e nove anos atrás quando uma tentativa de tomada de poder pessoal, pelo general Spínola, levou à morte de portugueses e por um fio não fez estalar uma confrontação armada que muito bem poderia ter degenerado em guerra civil mas, por reacção, acabou por iniciar o período revolucionário em curso em que se inventou o socialismo à portuguesa a propósito do que se nacionalizou a economia, com isso destruindo o nosso tecido empresarial e, em contrapartida, criando uma cultura de funcionalismo público entre as massas trabalhadoras cujo resultado acabou por ser a austeridade imposta pelo FMI. Não tivéssemos entrado na então Comunidade Económica Europeia e, provavelmente, seríamos hoje tão miseráveis como os albaneses. Ainda assim, foi com todo esse arraial que os dirigentes políticos puderam lançar as bases da partidocracia que se veio a estabelecer no país e que tanto atrofia e bloqueia o nosso desenvolvimento. 

Bem, mas isto são contas de outro rosário que agora podemos deixar de parte. 


É que pouco passavam das sete, em Madrid, em hora de ponta, quando várias bombas rebentaram em vários comboios em três estações da capital, provocando inúmeros estragos materiais e a morte de mais de duas centenas de pessoas e acima do milhar de feridos, muitos em estado grave. 
Mais uma vez as imagens mostram o horror dos corpos espantados de sangue e perplexidade, com os materiais, em fundo, retorcidos em posições bizarras, tal não foi a potência de cada explosão. 

O governo espanhol atribuiu o morticínio à ETA. Mas ao certo ainda não se sabe e se um porta-voz do Harri Batasuna veio negar a responsabilidade dos independentistas bascos, a verdade é que aquela organização se mantem em silêncio. 
Não há dúvida alguma é que estamos perante mais um crime hediondo do terrorismo. 


Ora nada há que justifique um acto destes, não há qualquer argumento político ou ideológico que justifique o massacre de populações indefesas que foi o que aconteceu. Aliás, tenho para mim que sequer devemos reconhecer tal argumentário num caso como este. Esta é uma acção criminosa, como os seus autores vulgares assassinos. 


Há quem aponte o dedo para a constelação da Al-Qaeda, pois as características do crime, quer pela pujança organizativa que pressupõe e que supostamente falta à ETA, debilitada pelas prisões dos principais dirigentes e operacionais que a política de Aznar acabou por conseguir, quer ainda pelo estilo de grande aparato em que o mesmo se traduziu, lembram mais o modos operandi dos bandos de Bin Laden do que os nacionalistas bascos. 

Esperemos pois pelas investigações ou as eventuais reivindicações que venham a ser feitas. 

Seja lá como for, esta é a linguagem do terror; morte e destruição. É com isso que os terroristas impõem o medo que verga as populações aos seus ditames e tiranias pois nada mais pretendem que o poder absoluto. 


Passa pois a ser o dia onze de Março um dia de infâmia que a todos os amantes da paz e da liberdade, a todos os que gostam da democracia, não pode deixar sem, por um lado, um profundo pesar pelas vítimas e, por outro lado, a mais funda repulsa pela barbaridade perpetrada. 



E hoje, as minhas filhas lá foram ao teatro. 
Rica escola!
Mas eu não tenho dúvidas quanto à pertinência destas actividades nesta idade escolar. 
Trata-se de uma forma de permitir o acesso aos alunos mais pobres a espaços de cultura de que eles estão natural e potencialmente arredados. 

Mas parece-me que a peça foi demasiado experimental para o gosto da Margarida. 
“-Tem algum jeito, pedirem ao público para desmontar o cenário?” 

Contudo, a Matilde esteve atenta. Devo confessar que foi com certo orgulho que falei com ela sobre o enredo que narrou com toda a fluência e a segurança de quem tinha visto com olhos de ver. 


Como eu sou feliz por ver estes anjinhos crescerem. 



Esta noite rezamos por todos aqueles que perderam a vida neste dia de infâmia. 


Alhos Vedros 
 11/03/2004